A permanência de Flávio Bolsonaro entre os candidatos competitivos na eleição presidencial de 2026 chama atenção diante das investigações que envolvem seu nome. Mas a relação entre investigações, percepção pública e intenção de voto é mais complexa do que simplesmente considerar que denúncias necessariamente afastariam eleitores.
O nome de Flávio Bolsonaro voltou a aparecer em diferentes episódios que geraram investigações, decisões judiciais e questionamentos públicos ao longo dos últimos anos. Entre eles estão o antigo caso das “rachadinhas”, a investigação sobre o filme Dark Horse e as relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de novas acusações divulgadas nesta semana sobre suposta participação em festas privadas com garotas de programa.
Rachadinhas
O caso das rachadinhas teve origem quando Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro. O Ministério Público investigou um suposto esquema de devolução de parte dos salários de funcionários do seu gabinete. A denúncia criminal chegou a apontá-lo por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Entretanto, é importante registrar que as principais provas da investigação foram posteriormente anuladas pelo STF e pelo STJ, e a denúncia acabou rejeitada. Em 2026, surgiram novos pedidos para que o caso seja reavaliado, mas isso não equivale à existência de uma condenação contra Flávio.
Dark Horse e Daniel Vorcaro
Mais recentemente, Flávio passou a ser formalmente investigado pelo STF no caso envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Segundo documentos da Polícia Federal, Flávio teria atuado como interlocutor direto de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, nas negociações para o financiamento do filme. A PF apontou a necessidade de esclarecer a origem, o trânsito e a destinação dos recursos.
Flávio nega irregularidades e afirma que os recursos do filme eram privados. Ser investigado não significa ser condenado.
As novas acusações sobre festas
Em 29 de setembro, reportagem divulgada pelo UOL, com base em material apresentado pelo site PlatôBR, trouxe mensagens e fotografias que, segundo a reportagem, indicariam a participação de Flávio em festas privadas com garotas de programa.
O material teria sido guardado por Alexandre Santini, antigo amigo e ex-sócio do senador. O UOL informou que procurou a campanha de Flávio e, até a publicação da reportagem, não havia recebido resposta oficial. Portanto, essas informações devem ser tratadas como alegações e material jornalístico ainda sujeito a esclarecimentos, e não como fato judicialmente comprovado.
O que todos esses episódios têm em comum?
São acontecimentos de naturezas diferentes: um caso de investigação sobre funcionários do antigo gabinete, uma investigação atualmente em andamento sobre o financiamento de um filme e alegações recentes sobre a vida privada do senador.
A existência de investigações ou acusações não estabelece, por si só, culpa criminal. Cabe às autoridades analisar as provas e aos envolvidos apresentar suas versões.
Mas por que isso não necessariamente se transforma em perda de votos?
Há alguns fatores que podem ajudar a compreender o cenário:
1. Identificação política e ideológica
Parte do eleitorado pode manter sua preferência política mesmo diante de acusações ou investigações envolvendo o candidato.
2. Avaliação diferente sobre as denúncias
Investigação não equivale a condenação. Além disso, apoiadores podem interpretar as acusações de maneira diferente da oposição. No caso Master, Flávio afirma não ter cometido irregularidades.
3. O caso também envolve outros atores políticos
A repercussão do Banco Master não ficou restrita a Flávio Bolsonaro. O episódio também atingiu a imagem do STF e de diferentes figuras políticas. Pesquisa Palver divulgada pela CNN mostrou que 70% dos entrevistados disseram perceber desgaste na imagem do STF por causa do caso Master, enquanto a família Bolsonaro apareceu em segundo lugar entre os grupos associados ao desgaste.
4. O eleitor pode priorizar outros temas
Segurança pública, economia, costumes, combate à criminalidade e posicionamento político podem pesar na decisão eleitoral, independentemente da avaliação que cada eleitor faça das investigações.
Em uma eleição presidencial, informações verificáveis, documentos e respostas dos próprios candidatos são elementos importantes para que o eleitor forme sua própria opinião.


0 Comentários